A crise na Europa e o Referendo na Irlanda

Apesar de a crise na Europa não ser muito percebida pelo menos por nós, brasileiros, que estamos vivendo na Irlanda, ela existe e foi o principal assunto nas ruas durante várias semanas, já que no dia 31 de março aconteceria o referendo para a aceitação ou não do Acordo Fiscal ou Fiscal Treaty. Mas afinal, o que é isso?

Trata-se de um acordo feito entre a maioria dos países da União Européia para que, aqueles que votassem a favor, pudessem ter acesso a um fundo monetário de 700 bilhões de euros para ajuda-los a pagar suas dívidas. Aqueles que defendem o SIM, alegam que isso atrairia mais investidores para o país por eles sentirem-se mais seguros quanto à estabilidade da moeda.

E o que aqueles que defendem o NÃO têm contra isso? Bom, a primiera coisa a que eles  se opõem é que o fundo não é suficiente para pagar a dívida, e portanto, o governo teria que fazer cortes em investimentos públicos como saúde e educação, e aumentar impostos, para conseguir o dinheiro necessário. Por isso, eles não acham justo que a população tenha que pagar por uma dívida que, em sua maioria, é dos bancos.

Outro ponto que eles levantam é que não é inteligente pagar uma dívida fazendo outra dívida, a partir de um empréstimo, pois dependendo de como este dinheiro for investido, o país terá dificuldades de pagar esta nova dívida mais tarde. E, por último, eles alertam que não é certo que se o Acordo Fiscal for assinado, os países automaticamente terão acesso ao fundo monetário (e isso de fato percebi que é verdade, após assistir a alguns debates).

Mas de onde viria o dinheiro para pagar as dívidas, se o NÃO ganhasse? Eles defendem que a melhor forma de conseguir o dinheiro é investindo no país, no setor turístico, no fortalecimento do setor privado (já que 40% dos empregos estão no setor público, o que faz com que o dinheiro público seja investido em salários ao invés de ser investido na população), renegociando as dívidas, etc. Mas se isso tudo é possível, por que não foi feito até agora? E você acha que não será necessário fazer cortes e aumentar impostos também neste caso?

Uma curiosidade que ouvi numa palestra do Eric Byrne, membro do parlamento nacional, que foi na minha escola de inglês defender o voto “SIM”, é que os maiores gastos do governo são, em ordem decrescente, a proteção social, a saúde e a educação. Ora, se uma coisa é certa é que a Irlanda é superprotetora, dá benefícios a torto e a direito para a população (para quem tem filhos, para quem está desempregado, etc.). Não seria o caso de rever estes gastos?

Bom, a verdade é que, como sempre, cada um defende o seu lado e sempre haverá milhões de argumentos contra o adversário, enquanto se maquia  informações que são pontos-chave para a população decidir o que é melhor, ou  “menos mal”. No fim, o SIM acabou ganhando com 60.3% dos votos e as consequências disso, só esperando para ver!

Foto: informatique

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09
jun 2012
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DISCUSSION 4 Comments

4 Responses to : A crise na Europa e o Referendo na Irlanda

  1. Vanessa disse:

    Olá Carla, estou indo para dublin dia 05 de agosto. Vou com o meu namorado, gostei muito do blog de vocês. Estou um pouco preocupada em relação a emprego e moradia.. Vamos ficar as primeiras semanas em uma acomodação estudantil. Vamos ficar no dublin7, ainda nao sei direito como é essa coisa de dulin1, dublin 7. Mas acho que quando chegarmos ai vamos entender melhor.
    Vocês estao em dublin 1? já conseguiram emprego? estão estudando? Também gostaria de ficar anos da Irlanda ou em outro país, mas os dois são Brasileiros.
    Obrigada pela atenção. Vanessa

    • Carla Marina disse:

      Oi Vanessa, tudo bom? Daqui há pouquinho estará aqui, né? Olha, com relação à moradia, é mais complicado alugar quem quer morar sozinho sem dividir apartamento com ninguém, porque daí você não tem contato nenhum na residência, é direto com o letting agent ou com o landlord. Se você e seu namorado pretendem morar num quarto de vocês, mas numa casa ou ap onde já moram outras pessoas, aí é tranquilo. Se forem ficar numa residência só para vocês, eles desconfiam que você não terá como pagar por ainda não estar trabalhando. Eu também fiquei em Dublin 7 quando cheguei, o bairro é tranquilo, bem residencial e demos sorte de morar bem perto de um Tesco enorme. Você vai se acostumar com essa divisão por Dublin 1, 2 etc, não é difícil. Os números pares ficam no Sul e os ímpares no norte. Dublin 2 e 1 ficam no centro, Dublin 7 fica perto do centro, dá para ir a pé. Estamos em Dublin 8, que fica a uns 2o minutos do centro, gostamos daqui. O Bruno já está trabalhando, na área de TI (que é bem requisitada aqui) e eu ainda estou procurando emprego. Olha, você tem que ter claro o que quer, se é só juntar dinheiro para pagar as contas e viajar, não pode ter preconceito com os tipos de emprego. Os brasileiros aqui se viram bem, trabalham nos pubs, limpando casa, cuidando de criança, segurando placa na rua, dirigindo táxi, vendendo comida brasileira e por aí vai. Oportunidades tem, alguns conseguem mais rápido (até 3 meses), outros demoram mais. Mas se você quer trabalho na sua área, já é mais difícil, pois eles exigem alta qualificação profissional, além da permissão para trabalhar full time (não impossível, há exemplos de brasileiros, como meu marido, que conseguiram).
      Abraços e boa sorte!

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